O comentador-estrela<br>virou candidato imaculado

Por entre os muitos momentos mediáticos protagonizados pelo Presidente da República nas últimas semanas, das audições às confederações patronais aos comentários sobre a banana da Madeira, Cavaco Silva marcou a data das próximas eleições presidenciais para 24 de Janeiro. Num momento em que está cada vez mais claro o conjunto de candidaturas que se apresentará às urnas, clarificam-se, igualmente, as opções editoriais discriminatórias nos principais órgãos de comunicação social.

No plano mediático poderíamos escrever muitas e longas linhas sobre a forma como foi cozinhada e lançada a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa ao longo de 15 anos de comentário dominical sobre tudo e sobre todos, em canal aberto e horário nobre. Muito se podia escrever sobre a forma como, sendo notória a sua eminente candidatura a Belém, o comentador Marcelo comentava o potencial candidato Marcelo. Mesmo após anunciada a sua candidatura, a despedida de Marcelo da TVI resultou num exercício em que o já candidato, de forma despudorada, é promovido e vê enaltecidas as suas qualidades no mesmo horário nobre que ocupava enquanto comentador.

Esta tem sido, aliás, prática corrente na forma como nos tem aparecido em casa pela televisão. Para lá da desproporção na cobertura da parca agenda de Marcelo quando comparado com a intensa agenda de Edgar Silva, o comentador que hoje veste a pele de candidato chega-nos quase sempre num registo mais próprio de propaganda que de informação. Quando não há espaço nos apertados critérios das redacções para imagens dos trabalhadores, dos jovens, dos homens e mulheres que constroem e corporizam a candidatura de Edgar Silva, encontra-se espaço para os beijinhos que Marcelo distribui ou para a selfie com uma jovem, a comprovar a modernidade do candidato-comentador.

E é de forma acrítica que nos surge assim Marcelo, ostensivamente «liberto da máquina partidária», numa imagem cultivada e alimentada pela máquina mediática que o tem servido, à procura de se distanciar dos longos anos em que contribuiu, como jornalista, comentador e em cargos públicos, para o combate aos valores de Abril e para a execução da política de direita. Na prática, tentando esconder um percurso de 40 anos em que tendo sido de tudo no PSD – presidente do partido, candidato a uma autarquia, deputado – exercita agora, com a benevolência da comunicação social, a ideia de que é «independente».

Temos pela frente quase dois meses de campanha eleitoral em que, daqui até lá, o seu impacto mediático vai crescer. Os últimos 10 anos em que Cavaco Silva se instalou no Palácio de Belém, e particularmente os últimos meses, provaram a importância das próximas eleições presidenciais. Aos órgãos de comunicação social exige-se o tal rigor, independência e pluralismo de que a RTP3 fez slogan, critérios que não são compatíveis com um tratamento mais próximo de imprensa cor-de-rosa de uma das candidaturas, mas que espelhe de forma fiel o empenho e participação de todos quantos estão empenhados nesta batalha eleitoral – onde, por mais manipulações mediáticas que surjam, a candidatura de Edgar Silva é ímpar.




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